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Doenças crônicas

Pré-diabetes: o que fazer antes de virar diabetes

Por Dr. Rafael Gusmão ·

Pré-diabetes é quando o açúcar no sangue está acima do normal, mas ainda abaixo do nível de diabetes. É uma fase de alerta, e também de oportunidade: estudos mostram que mudanças no estilo de vida reduzem em mais da metade o risco de a pessoa desenvolver diabetes tipo 2. Não é preciso medo nem dieta radical, e sim um plano possível, acompanhado ao longo do tempo.

Quais exames definem o pré-diabetes?

O diagnóstico usa pelo menos um destes resultados:

  • glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL;
  • hemoglobina glicada (HbA1c) entre 5,7% e 6,4%;
  • teste de tolerância à glicose: glicemia entre 140 e 199 mg/dL duas horas depois de beber a solução de glicose.

A diretriz brasileira mais recente também passou a aceitar a glicemia medida uma hora depois da solução de glicose. Um resultado isolado pode precisar de confirmação. Quem tem valores acima dessas faixas já está na faixa de diabetes, e a conduta é outra.

Pré-diabetes dá sintomas?

Quase nunca. A maioria das pessoas descobre por acaso, num exame de rotina. Por isso, o rastreamento é recomendado para adultos a partir dos 35 anos, e antes disso para quem tem excesso de peso, histórico de diabetes na família, pressão alta, colesterol alterado, gordura no fígado, diabetes na gestação ou síndrome dos ovários policísticos.

Pré-diabetes sempre vira diabetes?

Não. Parte das pessoas volta ao normal, parte fica estável e parte evolui para diabetes ao longo dos anos. O que mais pesa nesse caminho é o que acontece no dia a dia: peso, atividade física, sono e alimentação.

Pré-diabetes também costuma andar junto com pressão alta, colesterol alterado e gordura no fígado, que aumentam o risco do coração. Por isso, vale olhar o conjunto, e não só a glicemia.

O que funciona para evitar o diabetes?

Grandes estudos acompanharam milhares de pessoas com pré-diabetes e mostraram o que dá resultado:

  • perder de 5% a 7% do peso, quando há excesso. Para quem pesa 90 kg, isso significa de 4,5 a 6 kg;
  • 150 minutos de atividade física por semana, como caminhada rápida, somados a exercícios de força;
  • alimentação com mais fibras, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas, e menos açúcar, bebidas adoçadas e ultraprocessados;
  • sono suficiente e regular, porque dormir mal atrapalha o controle da glicemia;
  • parar de fumar.

Não é preciso zerar carboidrato nem seguir dieta da moda. O que funciona é o que você consegue manter.

E remédio? Quando entra?

Em algumas situações, a metformina pode ser considerada, por exemplo, em quem tem obesidade importante, é mais jovem ou teve diabetes na gestação. Ela ajuda, mas, nos estudos, teve efeito menor que a mudança de estilo de vida. A decisão é individual.

Medicamentos para obesidade também podem entrar quando há indicação para o peso.

Com que frequência repetir os exames?

Em geral, uma vez por ano, ou antes se houver sintomas ou mudança importante de peso. Junto, vale acompanhar pressão, colesterol e fígado.

O que não fazer

  • ignorar o resultado porque "ainda não é diabetes";
  • entrar em dietas muito restritivas, que não se sustentam;
  • comprar suplementos que prometem "baixar a glicose";
  • começar remédio por conta própria.

Quando procurar o médico?

  • se um exame mostrou glicemia de jejum acima de 100 ou hemoglobina glicada acima de 5,7%;
  • se você tem fatores de risco e nunca fez esses exames;
  • se já sabe que tem pré-diabetes e não sabe por onde começar.

Na consulta, olhamos glicemia, peso, pressão, colesterol e rotina juntos, e montamos um plano que caiba na sua vida. Saiba mais sobre o acompanhamento de diabetes, pressão, tireoide e doenças crônicas.

Referências

  • Ensaio clínico randomizado Diabetes Prevention Program, sobre mudança de estilo de vida e metformina na prevenção do diabetes tipo 2, New England Journal of Medicine, 2002. Nível de evidência: alto (ensaio clínico randomizado).
  • Ensaio clínico randomizado Finnish Diabetes Prevention Study, sobre estilo de vida na prevenção do diabetes tipo 2, New England Journal of Medicine, 2001. Nível de evidência: alto (ensaio clínico randomizado).
  • Padrões de Cuidado em Diabetes da American Diabetes Association, capítulo sobre prevenção ou atraso do diabetes tipo 2, edição anual. Nível de evidência: diretriz de sociedade médica.
  • Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre rastreamento e diagnóstico do diabetes tipo 2, Diabetology & Metabolic Syndrome. Nível de evidência: diretriz de sociedade médica.

Conteúdo informativo, que não substitui avaliação médica. Dr. Rafael Domingos Gusmão · CRM-SP 158100 · RQE MFC 96311 · RQE Acupuntura 96310.