Medicina de Família
Médico de família: o que faz e quando procurar
Por Dr. Rafael Gusmão ·
O médico de família é o especialista que cuida da pessoa por inteiro, em qualquer idade, e acompanha a saúde ao longo do tempo. Ele trata a maior parte dos problemas de saúde do dia a dia, faz a prevenção, organiza exames e remédios e, quando é preciso, encaminha a outros especialistas com a história já organizada, sem deixar de acompanhar. É o médico que conhece o conjunto, e não só uma parte.
O que faz um médico de família?
Na prática, o médico de família:
- avalia qualquer queixa, mesmo quando não está claro qual especialista procurar;
- acompanha doenças crônicas, como diabetes, pressão alta, colesterol, tireoide, asma e obesidade;
- organiza a prevenção: check-up com os exames que fazem sentido para você, vacinas e rastreamentos;
- revisa os remédios em uso, principalmente quando são muitos ou vêm de vários médicos;
- cuida da saúde mental no dia a dia, como ansiedade, sono e estresse, e encaminha quando é preciso;
- coordena o cuidado com outros especialistas, para que as informações não fiquem soltas.
É a mesma coisa que clínico geral?
Não exatamente. "Clínico geral" é um termo popular para o médico que atende queixas gerais, e não é uma especialidade.
A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica reconhecida, com residência ou título de especialista, e registro próprio no Conselho Regional de Medicina, o RQE. Ela é voltada para o cuidado contínuo da pessoa e da família, em todas as idades, considerando também o contexto de vida: trabalho, rotina e relações.
Outra especialidade parecida é a Clínica Médica, mais voltada para adultos e para quadros clínicos mais complexos, muitas vezes em hospital.
Qual a diferença para os outros especialistas?
Cada especialista cuida muito bem de uma parte: o cardiologista do coração, o endocrinologista dos hormônios, o ortopedista dos ossos e articulações. O problema aparece quando a pessoa tem várias questões ao mesmo tempo e ninguém olha o conjunto. Um remédio pode interferir no outro, e os exames se repetem.
O médico de família não substitui os especialistas. Ele é o ponto de partida e o ponto de encontro: resolve a maior parte das questões, identifica quando outro especialista é necessário e continua acompanhando depois.
Por que ter um médico que acompanha você?
Estudos mostram que pessoas acompanhadas pelo mesmo médico ao longo do tempo tendem a ter menor mortalidade, menos internações e idas ao pronto-socorro, e melhor controle das doenças crônicas. Faz sentido: quem conhece a sua história percebe mais cedo o que mudou e não recomeça do zero a cada consulta.
Quando procurar um médico de família?
- quando você não sabe a qual especialista ir;
- para um check-up feito a partir da sua história, e não de uma lista pronta;
- quando tem diabetes, pressão alta, colesterol ou tireoide e sente que corre atrás dos números;
- quando toma muitos remédios receitados por médicos diferentes;
- quando está sempre cansado, dorme mal ou tem sintomas que ninguém explicou;
- para cuidar dos pais depois dos 60, com alguém que organize o cuidado;
- quando quer um médico de referência para a família.
Quando não é o caminho?
Em urgências e emergências, como dor no peito, falta de ar, sinais de AVC ou acidentes, o caminho é o pronto atendimento ou o SAMU, pelo 192. O médico de família cuida do antes e do depois.
Como funciona a primeira consulta?
A primeira consulta costuma ser mais longa. Ela começa pela sua história: sintomas, exames anteriores, remédios, hábitos, sono e histórico da família. A partir daí, definimos juntos as prioridades, o que investigar e como será o acompanhamento, presencial ou online.
Vale levar exames antigos, a lista ou as caixas dos remédios e o que você sabe sobre a saúde da família.
Quando procurar o médico?
Se você quer alguém que conheça a sua saúde por inteiro e acompanhe o caminho, e não só resolva a queixa do dia, esse é o papel do médico de família.
Conheça como funciona o meu acompanhamento e as áreas de cuidado.
Referências
- Revisão sistemática sobre continuidade do cuidado médico e mortalidade, BMJ Open, 2018. Nível de evidência: moderado (revisão de estudos observacionais).
- Revisão sistemática sobre continuidade na atenção primária e mortalidade, British Journal of General Practice, 2020. Nível de evidência: moderado (revisão de estudos observacionais).
- Revisão sobre a contribuição da atenção primária para os sistemas de saúde, The Milbank Quarterly, 2005. Nível de evidência: moderado (revisão de estudos populacionais).
Conteúdo informativo, que não substitui avaliação médica. Dr. Rafael Domingos Gusmão · CRM-SP 158100 · RQE MFC 96311 · RQE Acupuntura 96310.