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Prevenção

Quais exames fazer no check-up, por idade

Por Dr. Rafael Gusmão ·

Não existe uma lista de exames que sirva para todo mundo. Os exames de um check-up dependem da idade, do sexo, do histórico familiar e dos fatores de risco de cada pessoa. Mais exames não significam mais prevenção: pedidos sem indicação podem gerar ansiedade, custo e investigações que não trazem benefício. Abaixo estão as recomendações do Ministério da Saúde e do INCA, que são a referência no Brasil. Quando uma indicação vem de diretrizes internacionais, isso está dito no texto.

O que vale para todos os adultos?

Algumas avaliações fazem parte do check-up em qualquer idade:

  • pressão arterial, a cada 2 anos se estiver normal, e todo ano se estiver no limite;
  • peso, altura e circunferência da cintura;
  • vacinas em dia, conforme a idade;
  • conversa sobre sono, alimentação, atividade física, álcool, tabaco e saúde mental;
  • teste para HIV, sífilis e hepatite B pelo menos uma vez na vida, e de novo conforme a exposição;
  • teste para hepatite C para todos a partir dos 40 anos, como orienta o Ministério da Saúde.

O colesterol é avaliado a partir dos 35 anos nos homens e dos 45 nas mulheres, ou antes se houver fatores de risco, e repetido conforme o risco do coração.

Dos 20 aos 39 anos

Nessa fase, o foco é a prevenção pelos hábitos e a detecção de fatores de risco:

  • glicemia, se houver excesso de peso, histórico familiar de diabetes ou outros fatores de risco;
  • preventivo do colo do útero para mulheres dos 25 aos 64 anos. Pela diretriz do Ministério da Saúde de 2025, o teste de DNA-HPV está substituindo o Papanicolau e, quando negativo, é repetido a cada 5 anos;
  • revisão do calendário de vacinas.

Dos 40 aos 49 anos

Entram avaliações ligadas ao aumento do risco cardiovascular e de alguns cânceres:

  • glicemia, a partir dos 35 a 40 anos, mesmo sem fatores de risco;
  • cálculo do risco cardiovascular, que junta pressão, colesterol, glicemia, tabagismo e histórico familiar;
  • mamografia: entre 40 e 49 anos, o Ministério da Saúde garante o exame para quem desejar, com a decisão conversada com o médico, considerando o risco e o histórico familiar;
  • câncer de intestino: o rastreamento começa aos 50 anos. Com casos na família, pode começar antes.

Dos 50 aos 64 anos

  • câncer de intestino: pelo Ministério da Saúde, pesquisa de sangue oculto nas fezes (teste imunoquímico) a cada 2 anos, dos 50 aos 75 anos. Se o resultado vier alterado, a colonoscopia investiga a causa;
  • mamografia a cada 2 anos para mulheres de 50 a 74 anos;
  • PSA para próstata: o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento de rotina em homens sem sintomas. Quem quiser fazer deve decidir junto com o médico, pesando benefícios e riscos;
  • câncer de pulmão: o SUS ainda não tem programa de rastreamento, e o INCA estuda sua implantação. Para quem fuma ou fumou muito, diretrizes internacionais indicam tomografia de baixa dose a partir dos 50 anos, e vale conversar sobre isso.

A partir dos 65 anos

  • densitometria óssea para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, ou antes se houver fatores de risco para osteoporose, como orienta o Ministério da Saúde;
  • ultrassom da aorta abdominal, uma vez, para homens de 65 a 75 anos que já fumaram, segundo diretrizes internacionais;
  • avaliação de visão, audição, memória, equilíbrio e risco de quedas;
  • revisão de todos os remédios em uso, que costuma trazer mais benefício do que novos exames.

Depois de certa idade, alguns rastreamentos deixam de trazer benefício. A decisão de continuar ou parar é individual.

Quais exames, em geral, não precisam ser feitos de rotina?

Em pessoas sem sintomas e sem fatores de risco, estes exames costumam não ter indicação como rotina:

  • marcadores tumorais, como CEA e CA-125, para "procurar câncer";
  • eletrocardiograma e teste de esforço em quem tem baixo risco cardiovascular;
  • vitamina D sem motivo clínico;
  • tomografias e ressonâncias "de corpo inteiro";
  • painéis com dezenas de exames de sangue sem uma pergunta clínica por trás.

Eles podem mostrar alterações sem importância, que levam a novos exames, procedimentos e preocupação desnecessária.

O histórico familiar muda tudo

Casos de câncer de mama, intestino, ovário ou próstata na família, infarto ou AVC precoce em parentes próximos, ou diabetes em pais e irmãos podem antecipar exames ou mudar o tipo de rastreamento. Por isso, vale levar para a consulta o que você sabe sobre a saúde da família.

O que levar para o check-up?

  • exames anteriores, mesmo os antigos;
  • a lista de remédios e suplementos;
  • a carteira de vacinação;
  • informações sobre doenças na família.

Quando procurar o médico?

Se faz mais de um ou dois anos desde a última avaliação, se você tem casos de doença na família ou se não sabe quais exames fazem sentido para você, vale uma consulta que monte o check-up a partir da sua história.

Saiba mais sobre o check-up e a prevenção individualizada.

Referências

  • Ministério da Saúde, Cadernos de Atenção Primária nº 29: Rastreamento. Nível de evidência: diretriz oficial.
  • Posicionamento do INCA sobre a faixa etária do rastreamento do câncer de mama, 2025, e Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero com teste de DNA-HPV, Ministério da Saúde e INCA, 2025. Nível de evidência: diretriz oficial.
  • Diretriz do Ministério da Saúde para o rastreamento do câncer colorretal com teste imunoquímico, 2026, e nota técnica do Ministério da Saúde e do INCA sobre o câncer de próstata, 2023. Nível de evidência: diretriz oficial.
  • Recomendação da U.S. Preventive Services Task Force para o rastreamento do câncer de pulmão com tomografia de baixa dose, 2021. Nível de evidência: diretriz baseada em revisão sistemática.

Conteúdo informativo, que não substitui avaliação médica. Dr. Rafael Domingos Gusmão · CRM-SP 158100 · RQE MFC 96311 · RQE Acupuntura 96310.